quinta-feira, 25 de junho de 2009

Manuela Ferreira Leite

Não gosto nem nunca gostei dela.
Uma "performance" medíocre, enquanto ministra da educação.
Uma "performance" obsessiva pelo deficit, enquanto ministra das finanças.
Nem sequer acredito que o PSD, no governo, faça uma política substancialmente diferente da que está ser feita agora pelo PS.

Mas...

O ar simples e sincero da Senhora, que se apresenta tal qual é, sem fazer nem ensaiar espectáculo e que manifestamente procura falar verdade, em comparação com o triste e constante espectáculo-política de Sócrates, é, seguramente, uma lufada de ar fresco na política.

João Soares, faz pena.


Habituei-me a respeitar o João Soares, a partir do período em que ele exerceu o seu mandato como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Pela obra feita:
Musgueira, Relógio, Bairro Chinês, Casal Ventoso, Baixa Pombalina; pela riqueza da Agenda Cultural de Lisboa durante o seu mandato, para citar apenas algumas das muitas realizações de uma gestão autárquica eficaz e preocupada com os reais problemas dos lisboetas.

Hoje, porém, ao ouvi-lo no frente a frente no "Jornal das 9" da SIC notícias, em confronto com Miguel Relvas, a mediocridade das suas argumentações foi dolorosamente confrangedora.

É este o mesmo homem que presidiu a Lisboa há alguns anos, com uma obra a todos os títulos notável?

João Soares presidiu na Câmara de Lisboa num perído de democracia interna no Partido Socialista. As suas opiniões, acções atitudes desenvolviam-se num espaço de pluralidade.

Hoje, João Soares é um reflexo, tal como muitos antes dele foram reflexo, do resultado de direcções políticas autoritárias.

O despotismo do poder é sempre castrador da criatividade excepto para alguns, poucos, que lhe sabem resistir e aceitam o preço a apagar por essa mesma resistência.

Apesar das suas muitas qualidades, (e do que por vezes apregoa, confundindo o seu perfil com o do seu pai) João Soares não é nem nunca foi um verdadeiro resistente em política.

João Soares apareceu hoje na televisão no papel dum político vergado ao poder que impera no PS, argumentando(?) sem convicção sem coerência de pensamento e recorrendo a comparações descabidas relativamente ao assunto em discussão (caso media capital) (Para que foi Dias Loureiro ali chamado?)
A argumentação ficou ao nível dos adeptos dum qualquer clube desportivo que defendem a côr do seu clube pela côr em si mesma e por nada mais.

Infelizmente o que acontece hoje a João Soares já aconteceu a muitos outros antes dele, que teimaram em manter os seus "lugares ao sol" em momentos de poder totalitário. Seja em partidos, seja em sociedades.

Mas faz pena ver o que um poder não democrático pode fazer a um homem.... pode fazer a milhares de homens.

Fez-me pena hoje ver João Soares na televisão.